terça-feira, 4 de agosto de 2009

Tarja Preta



"Vou casar com a primeira mulher que eu beijar", ao som de Kiss me, no ano de 2000. Foi assim que o Felipe começou a marcar a minha vida. Achei algo nobre, algo especial, naquele menino fofo que falava essa frase comigo assentado no hall da igreja da qual éramos membros. Adolescentes que defendiam suas convicções a todo custo e que achavam que a vida sairia exatamente da forma que era planejada. Éramos bem parecidos. Dançávamos na igreja, trabalhávamos com as crianças enquanto os pais assistiam aos cultos, fazíamos teatro na igreja, éramos queridos pelos idosos, pela liderança. Éramos o estereótipo dos bons moços. A forma pela qual nos comportávamos demonstrava o quanto necessitávamos da aprovação das pessoas para que viéssemos achar algo de bom dentro de nós, porque no fundo, só nós nos conhecíamos.

O tempo passou, a vida tornou-se mais áspera e vimos que não saiu muita coisa da forma que planejamos. O grande amor não apareceu, beijamos várias bocas e não nos casamos, não dançamos mais na igreja, não tomamos mais conta das crianças, não fazemos mais teatro, não somos tão legais. Mas ainda somos bem parecidos.
Parecidos porque descobrimos que na verdade não somos tão maus o quanto pensávamos e por isso não fazemos questão de nos parecer tão legais. Apenas admitimos que somos humanos. Falo sempre por nós porque acho que nos parecemos muito. Sonhadores por natureza, insatisfeitos com as relações humanas, alma ingênua e corpo malicioso, é assim que somos. Então nem vou enfatizar a importância de tê-lo sempre comigo, seja perto ou longe, sempre carrego um pouco de Felipe em mim, em doses exageradas, inclusive. Eis aí mais uma característica, o exagero. Confesso, essa é uma característica mais forte no Felipe.

Felipe é muita música, Felipe é muito óculos, Felipe é muita bolsa, Felipe é muito bom, Felipe é muita diversão, Felipe é muita informação, Felipe é muito amor, Felipe não consegue ser dosado, mas isso é uma característica da alma de artista, a intensidade. Olha a frase cretina com a qual termino minha breve descrição: "Se Felipe fosse remédio não daria pra ser consumido em doses homeopáticas", cretino eu sei, meninos! Mas é verdade, Felipe é tarja preta (e sou dependente).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TPM

Existem coisas que não são estabelecidas por condições, elas apenas existem. Não há como explicar e nem necessidade de se explicar. Viver procurando motivos para as ações e suas reações é um tanto quanto exato demais, e se tem uma coisa que a vida não é: é exata. Cada dia um novo motivo para nos tirar da cama quente e confortável, cada dia um novo motivo para mover os nossos segundos, minutos, horas.
A insensatez que se despreza é a peça do que consideramos necessário para construir o que é sensato. A organização das idéias parte do mínimo para o máximo, a busca pelo coerente, pelo racional, é estabelecida pela influência de valores aos quais se submete um indivíduo. Então se conclui que rótulos como bom, mau, honesto, desonesto, são produtos extremamente exteriores e variáveis.
Então, quais os parâmetros, quais as regras do jogo? Obedecer aquilo que se diz convencional se não é a sua verdade, obedecer ás regras de uma sociedade que se baseia na superficialidade das relações. Ou será que o certo é você ser alienado a esta sociedade e carregar de fato sua verdade, mesmo contrária aquilo que todos os homens que ditam as regras do que se deve ou não fazer.
Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir. É assim que falam por aí, mas ao certo desconheço o que é viver tudo que há pra viver. Chega de dizer o CARPE DIEM como grito de revolução, chega de inconseqüência, chega de extravasar. Agora é hora de pensar além do dia, de pensar que só vivemos o que há pra viver quando temos consciência que nada é perfeito, que nada é pra sempre, que nem você vai durar pra sempre. Chega de buscar na primeira consciência dos fatos o objetivo de vida. Elaborar a insensatez é um bom remédio para depressão. Não busque os maiores motivos do mundo para tornar-se completo. Se é completo pelo fato de existir, pelo fato de haver possibilidades, de haver rotinas, de haver a quebra dela, de haver tentativas e são essas partes que tornarão a vida completa.
Procurar a satisfação incessantemente pode tornar o seu dia cada vez mais vazio, a satisfação vem com a tarefa que conseguimos concluir, mas também vem com o choro desolado por aquilo que nunca conseguiremos atingir, pelo ombro amigo que lhe é estendido nesse momento, pela paciência que você desenvolve consigo mesmo, e saber que de fato você é inseparável de você e terá que suportar todas as suas crises com você mesmo e que existem pessoas que lhe admiram simplesmente por isso, sem esforços maiores.
Enfim, isso é só um desabafo de uma mulher de TPM. Mas que acha válido ficar assim por lhe aflorar uma sensibilidade que não lhe é comum. Então, não torne a sua TPM em uma desgraça, aprenda a culpar a sociedade pelo seu mal estar e as pessoas acabarão te ouvindo e te dando razão.