segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Para você viver mais


Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos tristes,dos sonhos claros que invento.Nem aquilo que imagino já me dá contentamento.
(Cecília Meirelles)

Se eu conseguisse transportar o que sinto ao fechar os olhos e ouvir os acordes iniciais da música Canteiros seria como desenhar o esqueleto de um sentimento sublime e doloroso chamado saudade.Então me apego firmemente às lembranças e mantenho no imaginário o alimento da realidade, e não penso como poderia existir a ausência da saudade, mas procuro me lembrar dos motivos que me fazem senti-la.
Lembro-me das boas gargalhadas, da voz, do cheiro, do jeito espontâneo. Apego-me aos detalhes, aos conselhos, ao gosto comum. E é por isso que aprendi a admirar incansavelmente o nordestino Fagner, aprendi viver a vida com alegria, a saber recomeçar, a dar valor a familia, a amar a música, a sonhar acordada, a comer abacaxi com carne, a preferir um dia com muitos amigos a um com muito dinheiro e assim, desse jeitinho Coelho de ser, mantê-lo sempre presente em mim. Dessa forma consigo "ter no mato o gosto de framboesa e correr entre os canteiros e esconder a minha tristeza.”.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Reflexão sobre Buraquinhos na Camisa


Hoje eu quero falar sobre o amor, não sei o que, não sei porque e nem como posso falar. Estava ouvindo a música “Tema pra não ver você triste” interpretada pela Marisa Monte, e fui convencida a pensar sobre isso, apesar da minha relutância. Essa música é dotada de uma suavidade que parece ser mesmo o Amor. É isso! o amor é suave, é simples, um violão e uma voz, que em virtude do tempo, do compasso, do timbre forma uma melodia que move o racional numa dança espontânea.
As palavras acima podem se tornar ridículas, pois são comuns, então comecei a pensar em uma nova forma de descrever o amor e me lembrei que um dia ao assistir o programa do Jô Soares, no inicio ele fez uma breve descrição de um trabalho desenvolvido em uma escola infantil, onde a professora pediu aos seus alunos para que descrevesse de uma forma simples o que era o amor e então ouvi uma definição que ficou marcada (haviam muitas brilhantes, podem acreditar!), ela dizia mais ou menos assim: “amar é querer estar perto dele mesmo que ele esteja com um buraquinho na camisa”. Não sei porque, mas essa frase ficou gravada na minha cabeça, acho que pela sinceridade da pequena autora, ela viu que ele estava com um buraquinho, o que para ela não é uma coisa boa, mas mesmo assim ela quis permanecer perto dele. Isso dimensiona mais do que longos versos a capacidade de superar o imperfeito que o amor possui.
A incondicionalidade proposta pela menina é sincera, e é assim que é o amor, é sincero, se as coisas não vão bem não há necessidade de maquiar a situação ou de acreditar que tudo é perfeito de uma forma superficial. Está aí outro adjetivo do amor, a profundidade, ele não sobrevive em meio ao superficial, ele exige mais, exige mais de nós, não o que não podemos dar, mas o que o próprio sentimento nos impulsiona a fazer. E se não soubermos lidar com “camisa furada” estaremos sempre em busca da perfeição que só afasta a capacidade do amor em cobrir os furinhos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Futilidades


Era uma vez uma menina que cresceu ouvindo rap, rock e mpb. Ela gostava de Fagner, Elis Regina, Beatles, Rappa e Sandy Junior. Confusa? Talvez. Mas era mulher camaleoa, daquelas do leito perfeito que rapta e adapta o mundo a sua volta. Daquelas que ouve o que tem que ouvir e entende como o quer, que tem amor em seus planos, que tem impulsos não tão perfeitos quanto o seu amor. Que sonha, e sonha intensamente com coisas e torna esses sonhos tão reais, tão reais em seu imaginário que os vive sem ser necessário que os realize para que seja visto.
Acredita em música, em poesia e pasmem, acredita em um mundo melhor. Um mundo onde todos sejam o que são, um mundo que reine não a paz fúnebre das passeatas, mas a paz espontânea onde todos sejam o que são de fato e que não se confundam com o ser do outro. Um mundo de respeito, cumplicidade e acima de tudo sinceridade. Um lugar onde se permita gostar de “milho amarelo” e não de “verde”, um lugar onde filmes clichês com final feliz não seja considerado coisa de ignorante, que o prazer e o bem estar dependa apenas de ser quem somos e ponto.
Paraíso artificial? Não, não! Paraíso concreto feito de arte, de amigos, de possibilidade de sonhar. Sonhar com o que não seja obvio, não sonhar mais com o fim da fome ou o fim da guerra, mas sonhar em nadar numa piscina de chantili ou voar. Frieza ver crianças morrendo de fome no mundo e pensar numa coisa dessas? Se o Bush pensasse construir uma piscina de chantili pra cada cidadão norte americano não teria tempo de invadir o Iraque; se o Hitler se casasse com uma judia poderia se divertir muito mais com sua festa de casamento (mais que rave!) do que manter a “raça impura” em campos de refugiados e aniquila-los como se estivesse num vídeo-game e daria muito menos prejuízo a sua Alemanha; se judeus e palestinos se preocupassem em dar infância as suas crianças a faixa de gaza poderia ser um parque de diversões; se o Palácio Central se tornasse um circo (não que não o seja) daria mais qualidade de vida ao povo brasileiro, ao menos teríamos motivos menos ordinários para dar gargalhadas.Será que ela é errada?
Como é mesmo...? Mulher camaleoa, né?! daquelas que rapta e adapta o mundo ao seu redor! Politicamente correta? Mudar o mundo? Não, não. Ela só quer o Carpe Diem, através da música, dos amigos, do amor e que o mundo se adapte a suas futilidades.
Hã, Vê se pode uma coisa dessas?!