sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O Show de Maria, João, Severinos....

Uma música lúdica, uma imagem chocante de uma criança pegando comida no lixo, está pronto o show “A pobreza como parte da natureza”. Alguns suspiros e lágrimas são arrancados do telespectador. Mas pobreza não é um estilo de vida ou quem sabe uma forma de despertar o sentimento de solidariedade em quem vê. Pobreza é uma questão social, devemos nos revoltar muito mais do que nos penalizar ao ver uma criança vendendo doce nos sinais, catando lixo, assaltando.
Não é justo deixar que a realidade se torne uma catarse, nos sentimos redimidos ao nos penalizarmos com a miséria. O grande equívoco ocorre quando deixamos de pensar socialmente e pensamos em próprio beneficio com aparência de caridade. O mundo não precisa de caridade!
O mundo precisa de espontaneidade, de pessoas que ajam de acordo com seus sentimentos mais sinceros e que dessa forma procure aperfeiçoa-los a ponto de fazer-se conhecer de forma verdadeira. Não mais por uma questão de parecer o “mocinho” da história, mas por mostrar compaixão quando sentir compaixão, amor quando sentir amor, generosidade quando realmente senti-la.
Não são campanhas de TV nem imagens catárticas que trarão essa verdade ao homem, mas a sensibilidade de cada um em relação a sua realidade. Sensibilidade esta que ao longo do tempo foi massacrada pelas infinitas obrigações que ocuparam o dia-a-dia de cada um. Por isso, hoje, a sensibilidade é mecanizada, condicionada pela indústria do entretenimento. O homem se tornou mais suscetível as impressões dos outros do que a descobrir suas próprias impressões, o que bloqueia a capacidade de criar.
E o que isso tem a ver com a questão social? Com a fome?
Quando o homem não desenvolve a sua capacidade de perceber o mundo da sua forma ele se torna condicionado a aceitar as coisas da forma que o mostram. Então se o condiciona a posição de pobre, escoria da sociedade, o “coitadinho” que cata lixo no aterro, existirá um conformismo enquanto sua posição. E do outro lado hipnotizados pela catarse o homem busca se redimir de sua constante falta sensibilidade com fluxos de sentimentos despertados pelos sentidos e por uma programação metodicamente programada para tal reação;

Convém pensar em atitudes de Gentileza
http://www.youtube.com/watch?v=VKnVAZHehV0&feature=related

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