
Maressa Coelho
Época de eleições municipais. Época em que palavras como “cidadania” e consciência política” tornam-se cotidianas nos veículos de comunicação. Não é de hoje, que as campanhas de publicidade governamentais trazem a noção de deveres e direitos políticos dos brasileiros em momentos oportunos. Algumas marcaram a história de consciência política da população.
O slogan “Sou brasileiro, não desisto nunca”, por exemplo, tornou-se jargão As histórias de brasileiros que ultrapassaram obstáculos para chegar a resultados heróicos comoveram e elevaram a auto-estima da sociedade. A utilização de figuras públicas como Hebert Viana e Ronaldo “Fenômeno”, tornaram esses comerciais ainda mais influentes. Dentre eles, um contava a história de uma analfabeta que começou a estudar aos trinta anos e conseguiu seu diploma de pedagoga, porque agora queria ensinar aos que não tinham oportunidade.
Intrigante a idéia dos “marketeiros da República” de tornar a miséria social em ato heróico. Tornar cidadãos brasileiros em pessoas desbravadoras, que lutam contra um sistema, isentando o governo de qualquer culpa, mas elevando a auto-estima e a capacidade de superação do povo. Profissionais estes, extremamente capacitados a exercer os dotes publicitários para uma questão social.
Agora, o foco está nas eleições municipais – QUATRO ANOS É MUITO TEMPO! A tentativa de aclamar a população à consciência política é um tanto quanto superficial. As campanhas “Sou brasileiro, não desisto nunca” e “Quatro anos é muito tempo”, analisadas paralelamente, terão um caráter paradoxal. Ao mesmo tempo em que “Dona Maria” começa a estudar aos 30 anos (por falta de estrutura social), também é chamada para ter consciência política e responsabilidade sobre os quatro anos de mandato.
Essa forma de publicidade subestima a capacidade do cidadão de reivindicar aquilo que é seu por direito, traz uma ilusão em relação ao seu poder efetivo de transformação. Condiciona o indivíduo a aceitar a única condição que lhe é mostrada. Ao afirmar que o “brasileiro não desiste nunca”, prestigio terá aquele que conseguir superar as dificuldades desnecessárias: a falta de amparo do governo nas questões básicas de sobrevivência, como saúde e educação.
Do voto consciente, o que podemos falar num país onde há grande taxa de analfabetismo, campanhas eleitoreiras semelhantes a espetáculos circenses, é que precisamos de consciência no ato da propaganda, da demonstração e efetivação das propostas apresentadas. E quanto aos longos quatro anos, talvez, tenhamos nos tornado de fato heróis adaptados e nem notamos diferença entre um mandato bom ou ruim. Apenas nos adaptamos.
O slogan “Sou brasileiro, não desisto nunca”, por exemplo, tornou-se jargão As histórias de brasileiros que ultrapassaram obstáculos para chegar a resultados heróicos comoveram e elevaram a auto-estima da sociedade. A utilização de figuras públicas como Hebert Viana e Ronaldo “Fenômeno”, tornaram esses comerciais ainda mais influentes. Dentre eles, um contava a história de uma analfabeta que começou a estudar aos trinta anos e conseguiu seu diploma de pedagoga, porque agora queria ensinar aos que não tinham oportunidade.
Intrigante a idéia dos “marketeiros da República” de tornar a miséria social em ato heróico. Tornar cidadãos brasileiros em pessoas desbravadoras, que lutam contra um sistema, isentando o governo de qualquer culpa, mas elevando a auto-estima e a capacidade de superação do povo. Profissionais estes, extremamente capacitados a exercer os dotes publicitários para uma questão social.
Agora, o foco está nas eleições municipais – QUATRO ANOS É MUITO TEMPO! A tentativa de aclamar a população à consciência política é um tanto quanto superficial. As campanhas “Sou brasileiro, não desisto nunca” e “Quatro anos é muito tempo”, analisadas paralelamente, terão um caráter paradoxal. Ao mesmo tempo em que “Dona Maria” começa a estudar aos 30 anos (por falta de estrutura social), também é chamada para ter consciência política e responsabilidade sobre os quatro anos de mandato.
Essa forma de publicidade subestima a capacidade do cidadão de reivindicar aquilo que é seu por direito, traz uma ilusão em relação ao seu poder efetivo de transformação. Condiciona o indivíduo a aceitar a única condição que lhe é mostrada. Ao afirmar que o “brasileiro não desiste nunca”, prestigio terá aquele que conseguir superar as dificuldades desnecessárias: a falta de amparo do governo nas questões básicas de sobrevivência, como saúde e educação.
Do voto consciente, o que podemos falar num país onde há grande taxa de analfabetismo, campanhas eleitoreiras semelhantes a espetáculos circenses, é que precisamos de consciência no ato da propaganda, da demonstração e efetivação das propostas apresentadas. E quanto aos longos quatro anos, talvez, tenhamos nos tornado de fato heróis adaptados e nem notamos diferença entre um mandato bom ou ruim. Apenas nos adaptamos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário